Como o fermento faz a massa de pão crescer?

A massa cresce porque as leveduras produzem gás carbônico e a estrutura formada pelas proteínas da farinha consegue reter parte dessas bolhas.

Massa de pão crescida em tigela de cerâmica sobre bancada de cozinha.
A massa aumenta de volume enquanto bolhas de gás ficam retidas em sua estrutura. (Imagem: Ilustração).

O fermento faz a massa de pão crescer porque leveduras transformam açúcares em gás carbônico, e a massa consegue reter parte desse gás em pequenas bolhas. O volume aumenta quando essa rede elástica se distende ao redor das bolhas em formação.

Esse mecanismo reúne vida microscópica, química e estrutura. A levedura de panificação mais comum pertence à espécie Saccharomyces cerevisiae. Em condições adequadas, ela usa açúcares disponíveis na massa e libera, entre outros produtos, gás carbônico. A OpenStax descreve a fermentação alcoólica de Saccharomyces cerevisiae, com liberação de gás carbônico, e relaciona o processo ao crescimento de pães.

O gás nasce da fermentação

A palavra fermento pode designar produtos diferentes na cozinha, mas o fermento biológico contém organismos vivos. Depois que a massa é misturada, água, temperatura e alimento disponível determinam a velocidade com que essas células trabalham. Elas convertem parte dos compostos da massa e liberam gás carbônico.

Uma parte do gás se dissolve na fase úmida; outra se acumula em bolhas já existentes ou em espaços que se abrem durante a mistura. É por isso que uma massa pode parecer mais leve e cheia de pequenas cavidades antes mesmo de entrar no forno. O ritmo varia conforme a farinha, a hidratação, a quantidade de levedura e o ambiente.

Produzir gás, sozinho, não basta para levantar um pão. Se o material ao redor das bolhas não tiver resistência suficiente, o gás escapa ou as cavidades se unem e a massa perde a forma. O crescimento visível depende de uma combinação entre a fermentação e a capacidade de segurar essas bolhas.

Corte aproximado de massa de pão com bolhas de tamanhos variados em sua estrutura.
As cavidades mostram onde a massa reteve gás durante o crescimento e o aquecimento. (Imagem: Ilustração).

A massa funciona como uma rede que prende bolhas

Na farinha de trigo, proteínas como gluteninas e gliadinas participam da formação da rede conhecida como glúten quando entram em contato com água e recebem mistura. Essa rede tem comportamento elástico e viscoso: ela cede até certo ponto, mas também oferece resistência. É essa característica que dá sustentação às células de gás.

Pesquisadores do USDA observam que massas fortes conseguem aprisionar as pequenas bolhas de gás carbônico formadas pela levedura durante a mistura e o crescimento. A mesma fonte relaciona proteínas de maior massa molecular a massas mais resistentes e pães de maior volume. O resultado descreve o papel mecânico dessa rede em massas de trigo, sem impor uma estrutura única a todo pão.

O forno expande as bolhas e fixa a estrutura

Ao entrar no forno, a massa ainda pode aumentar de volume por um curto período. O gás que já está nas células se expande com o aquecimento, e a atividade das leveduras não desaparece instantaneamente. Em seguida, o calor altera proteínas e amidos, e a estrutura começa a se fixar. É essa mudança que transforma uma espuma mole em miolo com cavidades estáveis.

Ao mesmo tempo, parte da água vira vapor e também contribui para a pressão dentro das células. O resultado final depende do equilíbrio: bolhas precisam se expandir sem romper a rede cedo demais. O miolo assado preserva na forma das cavidades parte dessa reorganização de gás, água e estrutura pelo calor.

Fermentos biológico e químico produzem gás por rotas diferentes

O fermento químico segue outra rota. Ele reúne substâncias que podem liberar gás carbônico por reação química quando entram em contato com líquido e calor, sem depender da atividade de leveduras. Bolo e pão podem ter bolhas parecidas a olho nu, mas o caminho que produziu o gás não é necessariamente o mesmo.

O tempo para uma massa “dobrar” varia com a temperatura, a formulação e a força da própria massa; fermentação excessiva pode reduzir a capacidade de reter gás. Na prática, o volume final nasce dessa sequência: as leveduras liberam gás, a massa retém as bolhas e o calor consolida o miolo.

Jornalista formado desde 2017, com atuação profissional desde 2015. Tem experiência em revista impressa, canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. No Sabia Essa?,…

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