Uma sombra ganha bordas borradas quando a fonte de luz não é pontual: partes dela ainda iluminam uma região que outras partes já foram bloqueadas pelo objeto. Essa área de iluminação parcial recebe o nome de penumbra.
Uma lanterna pequena e distante pode fazer uma sombra relativamente nítida. Uma janela grande, uma luminária larga ou o Sol visto da Terra funcionam como fontes extensas e criam transições mais suaves.
Sombra não é uma área única
Quando um objeto opaco bloqueia toda a luz que chegaria a uma região, forma-se a umbra: a parte mais escura da sombra. Ao redor dela pode haver uma faixa onde apenas parte da fonte é visível.
Nessa faixa, alguns raios da lâmpada conseguem alcançar a parede, enquanto outros são interrompidos pelo objeto. Como ainda existe alguma iluminação, o escuro diminui gradualmente em vez de terminar numa linha seca.
A penumbra não é falta de foco dos olhos nem defeito da parede: ela é uma consequência geométrica de uma fonte de luz com área. Quanto maior a fonte parece a partir do objeto, maior pode ser a faixa de transição.

A distância altera o desenho
A posição entre fonte, objeto e tela muda quais raios são bloqueados. Aproximar o objeto da parede costuma deixar a sombra menor e mais definida; afastá-lo pode aumentar a região de penumbra e tornar a borda mais macia.
Aproximar uma lâmpada grande do objeto também aumenta seu tamanho aparente. Por isso, a mesma mão pode projetar uma silhueta de contorno duro perto de uma fonte pequena e uma sombra difusa perto de uma janela.
O tamanho aparente importa mais que o objeto isolado
Não basta dizer que uma lâmpada é grande ou pequena. Uma luminária grande muito distante pode ocupar um ângulo pequeno para o objeto, enquanto uma luminária moderada muito próxima ocupa um ângulo maior e produz penumbra mais evidente.
É a mesma razão pela qual as sombras ao ar livre mudam com o céu. Em dia nublado, as nuvens espalham a luz por uma área enorme e reduzem os contornos. Em sol direto, o disco solar continua sendo uma fonte extensa, mas sua penumbra tende a ser bem menor em objetos comuns.
Mais de uma lâmpada pode desenhar várias bordas
Com duas lâmpadas separadas, cada uma projeta sua própria sombra do mesmo objeto. Onde as duas são bloqueadas, a região fica mais escura; onde apenas uma é interrompida, aparece uma faixa parcialmente iluminada. O efeito pode produzir contornos duplos e não deve ser confundido com uma única penumbra contínua.
A nitidez também depende da distância até a parede. Perto dela, os raios bloqueados ainda chegam a pontos relativamente próximos e a transição tende a ser estreita. Ao afastar o objeto, a diferença de direção entre raios vindos de partes distintas da fonte se acumula, ampliando a zona borrada.
Eclipses mostram a geometria em escala grande
Em um eclipse solar, a Lua bloqueia toda a luz do Sol para quem está na umbra e apenas parte dela para quem está na penumbra. A NASA usa justamente esses termos para descrever por que algumas regiões veem eclipse total e outras, parcial.
Na parede de casa, o princípio é o mesmo em escala menor. A fonte, o objeto e a superfície formam uma geometria que decide quanto da luz chega a cada ponto.
A borda revela a forma da iluminação
Uma sombra não é uma cópia preta automática do objeto. Seu contorno registra também o tamanho e a posição da fonte que a produziu.
Observar a borda mudar ao aproximar uma luminária ou afastar um objeto é uma maneira direta de enxergar a penumbra. O objeto não muda de forma; muda a fração de luz que cada ponto da parede deixa de receber.

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